Vida Literária III

Fala, poesia!



 
 

MARCILIO MEDEIROS

 


TATURANA


         Marcilio Medeiros


A mão plana,

passeia calor.

Muda cor,

forma, peso.

Levanta caravana

de pelos

pelo leito seco

do peito

que arqueia, lento

rolar de roldanas

pontas de dedos:

antenas, pernas,

penas: taturana

e anseia o vento,

o pentear de

capim, cana.


 



Escrito por marcilio medeiros �s 23h33
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Marcilio Medeiros

 

AMORTO


         Marcilio Medeiros


curvas

vincos

vácuos


o amor

desliza

sem se opor

à brisa


brinda

poro

mora

diviso


no friso

no risco

do corpo:

vívido


atrita-se

estica-se

solta-se

ar em volta


calores

calos

calafrios

 



Escrito por marcilio medeiros �s 23h42
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Marcilio Medeiros

 


PÉS (COM APOIO)


           Marcilio Medeiros


Escassez de nuvens

sobre o piso.

Tez inchada de pés sem

o alarido

dos passos.

Descalços

todavia presos

Crassos

mas não tesos


Em vão

será suficiente

supor

que movimentos

de dedos

sustarão

termo, memória, medo

do rumor.


 



Escrito por marcilio medeiros �s 22h50
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Marcilio Medeiros

 

 



Escrito por marcilio medeiros �s 22h40
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Marcilio Medeiros

 


MORTE TERMO TEMOR


           Marcilio Medeiros


Aguarda: tom de neve.

Água parda proscreve

a rapidez. Agora tarda


Afeito: bom para sumir,

de terra desfeito, vai surtir

único e último efeito.


Fira: dom da faísca.

Fogo de pira confisca

quem só se reproduziu na lira.


Alarde: som de alaúde,

ar de notas arde sobre o ataúde,

antes que chegue a tarde.


 



Escrito por marcilio medeiros �s 20h32
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Marcilio Medeiros

 

 

OBSCURO

 

          Marcilio Medeiros

 

sempre há uma brecha

raios a decepar flores

a nudez das cores reservadas

estiletes eretos na raspagem

da poeira que se esconde

e repousa na limitada

decomposição que lhe resta

as dobras dos móveis

sua carapaça, seu secreto

labirinto onde maturam

os dias passados em objetos

 

um sopro, uma falha

traz o arpão incendiado

a gralha silenciosa, mas munida

a riscar o olhar assustado

de coisas mal-dormidas

 



Escrito por marcilio medeiros �s 20h40
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MARCILIO MEDEIROS

 


CAVALGADURA


              Marcilio Medeiros


sim,

olhos de marfim

órbitas de sodalita

perfuram


o mole centro

do abdômen

dentro do homem

saturam


sala vazia de órgãos

vãos órfãos, azia

amálgama

escura


cavalo

que cavalga

a alma

dura


 



Escrito por marcilio medeiros �s 16h47
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